Dona Flor e Seus Dois Maridos: nova versão cinematográfica é mais fiel à obra de Jorge Amado


“Dona Flor e Seus Dois Maridos” é uma das histórias mais famosas do escritor Jorge Amado. Publicado em 1966, o livro teve sua primeira adaptação para o cinema em 1976. Em 1998, deu origem a uma minissérie da Globo, além de ser adaptado várias vezes para o teatro. E foi um desses espetáculos que deu origem ao filme que estreia no dia 23 de novembro, estrelado por Juliana Paes (Flor), Marcelo Farias (Vadinho) e Leandro Hassum (Teodoro).

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O diretor Pedro Vasconcelos teve a ideia de levar a história novamente ao cinema por conta da calorosa recepção da peça dirigida por ele, que ficou em cartaz por mais de 5 anos. Durante a coletiva de imprensa realizada em São Paulo no último dia 8, ele deixou claro que não se trata de um remake da primeira versão, estrelada por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça. Segundo o diretor, o filme traz uma nova leitura do livro.

“Eu não escrevi nada desse roteiro, assim como não escrevi nada do roteiro do espetáculo. Eu simplesmente peguei trechos do livro e fui criando uma costura para poder montar o roteiro do filme e da peça”, afirmou.

Uma nova versão mais próxima do livro

A obra de Jorge Amado conta a história de Flor, uma jovem cozinheira que se casa com Vadinho, um homem que só quer saber de farra, jogos, bebedeiras e mulheres. Mesmo com as traições e agressões, a protagonista da história sente muito desejo pelo marido, que acaba falecendo durante uma festa de Carnaval.

Flor se casa novamente, dessa vez com Teodoro, o farmacêutico da cidade. Ao contrário de Vadinho, o novo marido é um homem digno, trabalhador e dá tudo o que ela precisa. Apesar de amá-lo, existe um problema: ele não a satisfaz no sexo. Flor então começa a lembrar de Vadinho, até que ele volta do além para satisfazer os seus desejos.

Essa história já é conhecida por muitos, mas, afinal, o que esperar dessa nova adaptação? Como Pedro Vasconcelos destacou na coletiva, essa versão é mais fiel à obra de Jorge Amado, tanto que várias falas dos personagens no filme foram retiradas do livro na íntegra. Dessa forma, quem não leu a obra pode ter uma experiência mais próxima com a história, e até mesmo entender melhor o que se passa na cabeça de Flor.

Um filme ousado e delicado

Apesar das muitas cenas de sexo e nudez explícita, o filme também traz delicadeza ao mostrar os sentimentos de Flor. Vale destacar o excelente trabalho de Juliana Paes, que já interpretou outra personagem de Jorge Amado na novela Gabriela, exibida na Globo em 2012.

Marcelo Faria e Leandro Hassum também deram conta do recado ao interpretar os maridos mais famosos da literatura brasileira. A química entre Marcelo e Juliana é incrível, enquanto Hassum arranca boas risadas ao encarnar o marido apaixonado e todo certinho (que só dorme de pijama amarelo e transa às quintas-feiras).

A cena do beijo de Flor e Vadinho após o reencontro do casal é uma das mais bonitas do cinema nacional desse ano, embalada pela voz de Maria Bethânia cantando “É o amor”. A fotografia do filme, com belas imagens da Bahia, também não deixou a desejar.

A nova versão de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” nos traz a oportunidade de acompanhar uma interpretação mais próxima da obra de Jorge Amado, além de relembrar uma das histórias mais famosas e ousadas da literatura brasileira.

 

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