Casamento Sangrento

Casamento Sangrento

Aviso: vamos refletir um pouco sobre o filme então fica aqui o aviso de que o texto contém alguns spoilers

O ano de 2019 foi recheado de filmes que trazem dentro do contexto da trama uma discussão política. O vencedor do Globo de Ouro, Parasita de Bong Joon-ho; o terror Nós de Jordan Peele; O filme do Coringa de Todd Phillips, entre outros. Dentro do cinema nacional não foi diferente, com o tão comentado – e também muito premiado – Bacurau, filme de Kleber Mendonça Filho e Clube dos Canibais de Guto Parente.

Enfim, muito filmes com elementos políticos bem fortes presente na sua história. O cinema tem uma grande importância no debate político e essas (e outras) produções de 2019 nos mostram que isso ainda é uma verdade. 

Seguindo a mesma linha de filmes que trazem em suas camadas discussões políticas mais aprofundadas, temos Ready or Not , que aqui no Brasil chegou como Casamento Sangrento. O filme conta a história de Grace (Samara Weaving, também de “Três anúncios de um crime”) que está para se casar com Alex (Mark O’Brien, também em “A Chegada”) e prestes a entrar para a família Le Domas, uma que enriqueceu através da sua sorte com jogos. A família tem a tradição de que todas as pessoas que vão integrar a família são obrigadas a passar por um ritual de jogar uma partida de um jogo, jogo esse escolhido ao acaso pela pessoa que passará a integrar a família. Grace tem o azar de pegar o único jogo em que o objetivo é ser alvo de uma caçada … até a morte. 

Veja o trailer aqui

Política estampada no thriller

Acredito que só pela sinopse você já consegue entender onde está a questão política na trama. O filme é basicamente isso, uma família rica caçando e matando gente pobre.

É interessante ver que o filme consegue trazer reflexões de diversas formas diferentes como, por exemplo, no meio da caçada contra Grace todas as empregadas da casa acabam mortas, seja por estarem no lugar errado, seja por um acidente; E diante de tudo isso acontecendo, a ação da família é apenas de minimizar os acontecimentos, consolar uma das filhas que foi culpada por essas mortes e continuar com a caçada. 

Outra reflexão interessante dentro do filme é o personagem que trabalha para os Le Domas quem vai até às últimas consequências para ajudar na caçada, fazendo de tudo pela família. Talvez para ter a sensação de pertencimento a ela e a classe que ela compõe. 

O Risco pelo status

Um último ponto de reflexão interessante do filme é sobre a personagem Charity (Elyse Levesque, de “Orphan Black”). Charity também teve que passar por um ritual para oficialmente entrar para a família. Mas diferente de Grace, que foi pega de surpresa e não sabia onde estava se metendo, em um diálogo descobrimos que antes de tirar o jogo ela sabia o que poderia acontecer com ela, mas estava disposta a correr o risco de morrer para entrar naquela família e ascender à classe social da família. 

Um bom encerramento

Além de todas essas questões. o filme mostra bastante força da personagem de Grace. O final do filme com a explicação do motivo dos jogos e o que acontece com a família caso eles não joguem é bem divertido e fecha muito bem a história. Com certeza é um filme que vale a pena ser visto. 

Euller Felix

Euller Felix

Cientista Social. Criador, editor e host do podcast Necronomiconversa.

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