O crescimento do cinema brasileiro

Com 209,2 milhões de habitantes, o Brasil é um mercado influente para a indústria cinematográfica. No entanto, o crescimento tem sido dificultado por um clima político instável e uma crise econômica que assola o país desde 2015. Enquanto o cinema brasileiro está sofrendo cortes severos em seu financiamento, ele também mostra sua força em alguns dos principais festivais de cinema do mundo. O prestigiado festival de Cannes contou com a participação de cinco filmes brasileiros em quatro diferentes seções da edição deste ano. Duas produções brasileiras concorreram à Palma de Ouro: Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; e O Traidor, de Marco Bellocchio. A 72ª edição de Cannes aconteceu nos dias 14 e 25 de maio.

Bacurau, uma combinação de western e ficção científica, traz uma cidade cheia de segredos para o sertão brasileiro. O elenco principal é composto por Sônia Braga, Udo Kier e Karine Teles. Levou o prêmio do júri, numa das mais concorridas competições do cinema mundial.

O Traidor, de Marco Bellocchio, conta a história de Tommaso Buscetta, um mafioso italiano que se refugiou no Brasil – este filme foi vendido para 35 países. Dois outros filmes brasileiros fazem parte do Um Certo Olhar, uma seção não competitiva do festival.

A Vida Invisível de Euridice Gusmão de Karim Aïnouz foi o primeiro filme brasileiro a ganhar na mostra Um Certo Olhar. Enfoca a cumplicidade entre as mulheres, uma crônica da condição feminina no Rio de Janeiro nos anos 1950. Carol Duarte, Julia Stockler, Gregório Duvivier e Barbara Santos fazem parte do elenco. O filme conta também com a participação de Fernanda Montenegro, a primeira mulher latino-americana a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

Sem Seu Sangue, longa de estréia de Alice Furtado, faz parte da seção “Quinzaine de Réalisateurs” do festival. O filme foi produzido por ex-alunos da universidade Federal Fluminense no Rio de Janeiro e entrou para a lista dos 10 filmes “a serem vistos” do jornal britânico The Guardian.

Indianara, de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, foi exibido no ACID, seção que privilegia filmes independentes experimentais e filmes de cunho político. O personagem-título de Indianara é um ativista trans que luta pela sobrevivência de transexuais no Brasil.

Foi a primeira vez que cinco filmes representaram o Brasil em Cannes, resultado de anos de investimento no setor cinematográfico, que cresce imensamente no país. A ironia é que a Ancine (Agência Brasileira de Cinema) congelou totalmente o financiamento de filmes. A produtora Tatiana Leite, da Bubble Projects, diz: “Eles [o governo] estão tentando dizimar um setor que gera 300 mil empregos diretos e uma renda de bilhões, e isso traz algo incomensurável: o audiovisual exporta nossa cultura e nossa voz, com mais potência do que qualquer outro setor. ”

“Ter tantos filmes brasileiros em Cannes é uma demonstração significativa e concreta de que o mercado audiovisual brasileiro vem avançando internacionalmente, construindo importantes laços comerciais e artísticos com os mercados internacionais”, acrescenta Fabiano Gullane, produtor de “O Traidor”.

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