Alguém como eu – Belas paisagens não salvam roteiro fraco

A comédia romântica “Alguém como eu” é uma coprodução Brasil-Portugal, conduzida pelo diretor português Leonel Viera e escrita por Pedro Varela, Adriana Falcão e Tatiana Maciel.

O filme conta a história de Helena (Paolla Oliveira – “Trinta”), uma publicitária de 30 anos bem-sucedida na profissão, mas infeliz na vida pessoal. Ela recebe uma proposta de trabalho em Portugal e decide partir em busca de uma vida nova. Lá ela conhece Alex (Ricardo Pereira – “Cartas da Guerra”) e os dois rapidamente engatam um romance.

Com o passar do tempo, algumas atitudes de Alex começam a incomodar Helena. Sua vontade é que o namorado seja mais parecido com ela e, após fazer um pedido a Deus, esse desejo torna-se realidade. No maior estilo “Se eu fosse você” (2006/2009), a publicitária começa a enxergar uma mulher no namorado (Sara Prata – “”), uma situação que traz diversos problemas.

 

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Show de clichês e roteiro confuso

Existem vários problemas no filme, a começar pela protagonista. No começo do longa, o tempo todo ela destaca como sente que falta algo em sua vida, mas não sabe o que é. No entanto a personagem sofre pela indiferença de um homem (que nem aparece no filme), o que deixa claro que seu “grande problema” naquele momento simplesmente é não ter um namorado. Esse tipo de situação já é mais do que batida em comédias românticas, mas esse nem é o maior problema do filme.

É muito estranho a forma como a “Alex mulher” é introduzida na história e como Helena lida com ela. A versão feminina do seu namorado aparece e vai embora muito rápido, deixando praticamente metade do filme com Helena tentando consertar as coisas e fazendo reflexões sobre suas atitudes. O filme é narrado pela protagonista, e a narração não traz nada de novo para as cenas, deixando o roteiro ainda mais fraco.

Não existe um momento de maior emoção, de torcida ou de envolvimento com os personagens. Durante a coletiva de imprensa do filme, realizada em São Paulo na última terça-feira (22), bateu-se muito na tecla de que Helena é uma mulher cheia de conflitos e problemas, assim como todo mundo. A ideia de mostrar isso foi boa, mas a execução deixou a desejar. Paolla Oliveira já mostrou em outros trabalhos que é boa atriz, mas no filme ela não parece à vontade. É uma pena, pois ela e Ricardo Pereira formaram um casal muito bonito e com bastante química.

Para não ficar só na reclamação, a fotografia do filme é belíssima, com várias cenas rodadas em Lisboa. Também é legal ver a atuação dos atores portugueses, pois, apesar de falarmos a mesma língua, não temos muito contato com as produções artísticas de Portugal.

Outro ponto positivo é a personagem Julia (Julia Rabelo, de “Contrato Vitalício”), amiga de Helena. Ela traz humor para a história e consegue arrancar as poucas risadas possíveis. A trilha sonora também merece elogios ao trazer uma mistura de músicas portuguesas e brasileiras, que se encaixaram bem no decorrer das cenas.

Mesmo com algumas qualidades, “Alguém como eu” apresenta um saldo negativo. É um filme fraco, com personagens poucos elaborados e muitos clichês.

 

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