Mulher-Maravilha: A Esperança enfim, chegou


A despeito de toda desconfiança do universo DC, a apresentação da mais importante das heroínas traz muito mais que um filme

 

Se existe uma palavra que se pode dizer ao terminar de assistir “Mulher-Maravilha”, com certeza será “FINALMENTE“, por equilibrar expectativas com entregas.

Depois de tantas vezes de Batman, Superman e outros mais, a DC/Warner Bros. nos entrega, após 76 anos de existência, um longa-metragem da mais icônica personagem feminina. E entrega com possibilidade de marcar seu nome na história por bem mais que isso.

Veja o trailer aqui

Na história deste filme, conhecemos Diana (Gal Gadot, de “Velozes & Furiosos”) e seu mundo, Temíscera. Treinada como uma amazona, mas protegida como a princesa pela sua mãe, Hypolita (Connie Nielsen, de “Gladiador”), Diana é confrontada com uma nova realidade quando cai em sua ilha o piloto Steve Trevor, fugindo dos soldados do Eixo (Chris Pine, de “Star Trek”). Ciente que há uma grande guerra entre os homens, a princesa decide tomar seu lugar como guerreira e defensora da humanidade, propósito para o qual os deuses criaram as amazonas, e parte junto à Trevor – para a guerra, e contra Ares, o deus da Guerra.

Esta saída de Temíscera põe os protagonistas rumo à Inglaterra da primeira Guerra Mundial, com objetivos iguais mas com focos diferentes: Diana, crente que o mal a ser combatido é o deus da guerra, e Trevor em busca de como dar um fim à batalha.  É nesse caminho que a história apresenta seus demais personagens, como a divertida Etta Candy e a trupe de amigos de Steve (entre eles Ewan Bremner, de “Trainspotting”). Todos eles vão, cada um a seu momento e jeito, combater a guerra, muitas vezes personificada na influência do general Ludendorff (Danny Houston, de “Olhos Grandes”), outras vezes focada na insana doutora Maru/Veneno (Elena Anaya, de “A Pele que Habito”).

As questões humanas e sociais que eram esperadas no filme estão presentes. Em vários momentos, existem ações de Diana que colocam vários temas à mesa: valores humanos, posições políticas, valorização do corpo, representatividade e até sexualidade. Todas estas coisas são levadas adiante no roteiro sem precisar ser forçado ou cafona, aparecendo naturalmente à medida em que a protagonista encara o mundo novo pra ela, que até poderia ser mais contrastado com o cotidiano de Etta (Lucy Davis, da série “The Office”), mas decidiram pô-la mais para alívio cômico.

Toda tecnicalidade do filme precisa ser exaltada. O roteiro bem amarrado agrada, não deixando furos na interpretação do espectador. Alguns momentos de mudança de fase no filme pecam por serem levemente esticados, mas não incomodam.  As temáticas importantes entram na história naturalmente, e no filme existe um equilíbrio na participação de cada personagem. As aspirações de Diana e de Trevor  vão se alinhando, e o roteiro trata de dar importância a cada uma no que se propõe a fazer. A grandiosa Mulher-Maravilha age contra os intocáveis deuses, e o humano Steve Trevor age contra os males que podem vir da guerra. Esse encontro da história é bem-feito e faz de Chris Pine mais um co-protagonista que um ator coadjuvante.

E é nesse momento que mora um IMENSO mérito à diretora Patty Jenkins, que não fez do filme um “girl power”,  mas fez da equidade  a maior marca da história. Durante o longa, sabemos o quão poderosa a Mulher-Maravilha é, mas ao mesmo tempo Steve Trevor vai tomando essa consciência, e foca em seu papel na guerra: Aqui, talvez muito se deva à mão de Jenkins na direção.

Toda fotografia do longa precisa ser enaltecida por fugir da escuridão dos demais da DC e mostra uma linda Temíscera. Entre os personagens, cada quadro onde aparece a rainha Hipólita mostra o amor estampado por sua filha, sem nem sempre precisar dizer. A produção não deixou a qualidade cair mesmo quando o público já está “na mão”, com quadros bonitos e tomadas bem-feitas, mesmo durante o cinza da guerra. Esse sentimento chega ao máximo na parte final do filme, onde temos vontade de tirar uma foto e fazer um papel de parede diferente de cada quadro.

Ponto importante para quem for assistir em 3D: O 3D EXISTE NO FILME. Agradecemos, Warner 🙂

E ao final, as cenas de ação. Cada momento de luta é um deleite. Cada batalha da Maravilha é bem-feito, e as aplicações da velocidade e poderio da heroína trabalham a favor dela. Ao contrário dos filmes do Superman, onde ele é um alienígena intangível, a Mulher-Maravilha  é uma deusa acessível, muito mais guerreira e encarando de igual os inimigos – e vai em uma crescente. Os temas musicais agem a favor das cenas de luta quase o tempo todo – curiosamente, isso foge quando ouvimos o tema principal, criado por Junkie X (que fez também “Mad Max – Estrada da Fúria”).

Levaram 76 anos para o mundo ver um filme da principal heroína das HQ’s. Mas enfim, a espera acabou. Recebemos um filme lúcido, coerente, brilhante. A Mulher-Maravilha de Gal Gadot é um marco histórico para o cinema e um fio de esperança para o conturbado universo cinemático da DC, e faz sim, um enorme favor para quem ama sétima arte, quadrinhos e principalmente, histórias bem contadas. Num cinema extremamente preocupado em fazer continuações, em pleno 2017 assistimos um filme que, sozinho, já é inesquecível.

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