Malasartes e o Duelo Com a Morte: O filme brasileiro com mais efeitos especiais da história


Imagine uma história que fala sobre mitologia grega e que tem como protagonista um personagem Íbero-Americano que se tornou tradicional na cultura brasileira e portuguesa. Parece algo muito distante? É essa mistura que podemos acompanhar no filme “Malasartes e o Duelo Com a Morte”, escrito e dirigido por Paulo Morelli.

Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) é conhecido por sua esperteza e vive de pequenas trapaças, sempre conseguindo se safar das confusões. Ele é apaixonado por Áurea (Isis Valverde), mas o irmão da moça, Próspero (Milhem Cortaz), não aprova esse relacionamento e está sempre querendo dar uma boa lição em Malasartes.

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No entanto, esse não é o maior problema do protagonista. No seu aniversário de 21 anos, ele é informado que receberá a visita do padrinho, um homem muito importante, mas que nunca conheceu. O que ele não sabe é que é afilhado da Morte (Julio Andrade), que está cansado da sua “função” e quer passar essa responsabilidade para o jovem. Malasartes ainda terá que lidar com a bruxa Parca Cortadeira (Vera Holtz) e Esculápio (Leandro Hassum), assistente no mundo dos mortos. Será que a sua famosa esperteza vai conseguir tirá-lo dessa confusão?

O filme com maior número de efeitos especiais da história do cinema nacional

Orçado em R$ 9,5 milhões, com cerca de R$ 4,5 milhões dedicados aos efeitos visuais, “Malasartes e o Duelo Com a Morte” teve mais de 50% de suas cenas gerada por computação gráfica. Foram necessários 2 anos para que o longa fosse finalizado. É muito interessante observar a mistura de um personagem com características tão brasileiras (que já foi interpretado por Mazzaropi) com lendas da mitologia grega sobre a morte e o destino.

Esse contraste também é mostrado por meio dos dois mundos (dos vivos e dos mortos), e é nesse segundo que vemos o resultado do investimento em efeitos especiais. As cenas em que os personagens voam ou interagem com elementos gráficos ficaram muito bem editadas. O ponto negativo é quando Malasartes “brinca” com as almas — uma sequência muito longa, sem relevância na história e que parece ter sido criada apenas com o objetivo de mostrar os efeitos especiais.

A história em alguns momentos nos remete ao filme “O Auto da Compadecida”, devido à simplicidade do lugar (interior de São Paulo), as artimanhas de Malasartes para ganhar dinheiro (assim como João Grilo, de Matheus Nachtergale), o sotaque característico dos personagens e as reflexões sobre a morte. O elenco de peso é um destaque, com nomes que apresentaram ótimos trabalhos no cinema e na TV nos últimos anos. Quem acompanhou os personagens de Jesuíta Barbosa nas séries da Globo, como Justiça (2016) e Amores Roubados (2014) vai se surpreender, afinal, foram papeis bem diferentes do protagonista dessa história.

Sem dúvida, é um longa nacional que foge do lugar comum, apresentando uma mistura de elementos interessantes e raros de se ver nos filmes brasileiros. Paulo Morelli trouxe uma proposta inovadora, que mostrou que podemos nos aventurar pelos caminhos da magia sem ficarmos reféns de Hollywood.

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